“Fui coagido pela Polícia a dizer que envenenei o achocolatado”

Portal sorriso 15 de junho de 2017 49 visualizações
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O zelador Adônis José Negri, de 65 anos, negou ter colocado veneno em um achocolatado da marca Itambé, que resultou na morte de uma criança de 2 anos, em Cuiabá.

O caso aconteceu em agosto do ano passado, no bairro Parque Cuiabá.

Em entrevista ao Mídia News, na terça-feira (13), ele afirmou que o suposto assaltante Deuel de Resende Soares, de 27 anos - que teria vendido o produto envenenado para o pai da criança – alegou para a polícia que furtou o achocolatado da sua residência para se livrar do crime.

Sem citar nomes, Adônis relatou ainda que foi coagido pela Polícia Civil a assumir a responsabilidade do fato.

“Imagina só, no dia em que me prenderam, eu estava dormindo em casa e fui acordado com 12 policiais encapuzados me algemando. Quando cheguei na delegacia falaram assim para mim: pode falar que foi você que pôs o veneno que não vai dar nada não”, disse.

“E eu inocente, acabei dizendo que fui eu, mas eu não tenho nada a ver com isso aí, eu fui coagido. Ia apanhar? Eu não. Pode puxar minha ficha aí, não tenho nenhum processo nas costas, sou inocente”, afirmou.

O Ministério Público Estadual (MPE) denunciou o zelador no último dia 22 de maio por homicídio qualificado com emprego de veneno.

Segundo a denúncia do MPE, o veneno foi colocado por Adônis no achocolatado para se vingar de Deuel de Resende, que estava furtando sua casa e comendo alimentos de sua geladeira.

Ainda conforme o MPE, o assaltante caiu na armadilha, furtou o produto, mas o vendeu para o pai da criança, que acabou consumindo a bebida envenenada.

Adônis chegou a ser preso na época do fato, mas foi solto logo depois. O assaltante também foi detido na ocasião. Não há informações se Deuel já foi liberado e nem se há uma denúncia contra ele no MPE.

Adônis Negri disse que a prisão “acabou” com a sua vida.

“Eu me sinto constrangido, envergonhado, inclusive, a minha filha, que mora no Paraná, até hoje não fala comigo, porque só acreditou no que saiu na mídia. Fui condenado por todos, sem ter o direito de apresentar minha defesa”,  afirmou.

“Na delegacia não permitiram que eu tivesse o acompanhamento de um advogado. Me coagiram para assumir uma coisa que eu não fiz. Todo mundo só ouviu um lado da história”, disse.

O advogado Raul Brandão, que faz a defesa do zelador, disse que vai apresentar na próxima semana uma resposta à acusação do MPE, para mostrar a inocência do seu cliente.

“Para você ter uma noção, ele nunca sequer comprou achocolatado da Itambé, o que ele sempre comprava, porque era mais barato, era da Italac. Inclusive, a Polícia Civil apreendeu um desses achocolatados da Italac na casa dele e a Politec concluiu que não tinha veneno no produto”, disse.

“Vamos mostrar que ele é inocente, que não há provas que possam incriminá-lo por esse fato. Os produtos que foram apreendidos na casa dele não tinham nenhum envenamento”, pontuou.

No laudo da Politec, encaminhado pelo advogado ao MidiaNews, ficou constatado que o achocolatado que o menino bebeu estava envenenado com carbofurano, que é utilizado para matar ratos. O veneno foi colocado dentro do produto com uma seringa. 

Já com relação ao achocolatado apreendido na casa do zelador, a perícia não constatou nenhum tipo de envenamento.

A morte

A criança de dois anos deu entrada na Policlínica do Coxipó no dia 25 de agosto de 2016.

A mãe informou que estava em casa com o filho, no Bairro Parque Cuiabá, quando a criança teria dito que estava com fome.

Ela, então, deu-lhe uma caixinha de achocolatado, que foi comprado pelo marido.

Ela disse que a reação foi imediata e o menino passou mal, desmaiando em seguida.

O menino chegou a ser reanimado pelos médicos, mas morreu cerca de uma hora depois de ter dado entrada na unidade hospitalar.

Outro lado

Sobre a acusão de Adônis com relação a suposta coação da Polícia Civil, a instituição afirmou que o caso foi investigado, comprovado que havia veneno no produto e identificada a autoria.

Na nota, a instituição também relatou que o inquérito já está na Justiça e não pertence mais a Polícia Civil.

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