Segunda, 29 de Junho de 2026
Polícia TRÊS FRENTES

Delegado detalha Operação Raleda, confirma prisões de envolvidos em execuções e alerta para risco fatal de “Mounjaro” pirata

Ação mobilizou 80 policiais civis (50 apenas na região de São José). Dr. Arnon Osny revelou que esquema de remédios falsos mantinha “caderno de clientes” e que assassinos de Matheus Santelo já estão presos.

29/06/2026 às 11h51 Atualizada em 29/06/2026 às 12h05
Por: Redação Fonte: Por Grupo Arinos
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Delegado detalha Operação Raleda, confirma prisões de envolvidos em execuções e alerta para risco fatal de “Mounjaro” pirata
POLICIAIS ENVOLVIDOS: 80 (oitenta), com equipes formadas por delegados, escrivães e investigadores, das DRNM, DPJSJRC, DPBG, DPSINOP, DPSOR, DPCOM, GCCO, DPLRV;
POLICIAIS ENVOLVIDOS: 80 (oitenta), com equipes formadas por delegados, escrivães e investigadores, das DRNM, DPJSJRC, DPBG, DPSINOP, DPSOR, DPCOM, GCCO, DPLRV;

 

A megaoperação "Raleda", deflagrada na manhã desta segunda-feira (29) pela Polícia Civil, é o resultado de seis meses de investigações intensas que começaram com o derramamento de sangue em São José do Rio Claro e Nova Maringá. Para dar respostas à sociedade, a polícia estruturou uma força-tarefa colossal: dos 80 policiais civis mobilizados em nove cidades de Mato Grosso, 50 foram direcionados exclusivamente para a nossa região.

Dr. Arnon Osny, delegado de Polícia Civil de São José do Rio Claro.
Dr. Arnon Osny, delegado de Polícia Cívil de São José do Rio Claro

 

Em entrevista, o delegado titular de São José do Rio Claro, Dr. Arnon Osny, destrinchou a complexidade da operação, que precisou ser dividida em três frentes de investigação, desbaratando desde homicidas ligados a facções criminosas até uma rede clandestina de comércio e aplicação de medicamentos injetáveis ilegais.

1ª Frente: A Guerra de Facções e as Respostas para São José

O estopim da Operação Raleda foi a investigação de seis homicídios recentes ocorridos no município e região, motivados pela guerra de facções.

O delegado trouxe atualizações cruciais sobre dois casos de grande comoção local:

Á esquerda, Matheus Santello. Á direita, Wellington dos Santos.
  • Caso Matheus Santello (Barbeiro): Executado e encontrado aos fundos do bairro Morada dos Ipês, o crime foi esclarecido.
    "A gente já identificou os autores e estão todos presos", confirmou o Dr. Arnon.

  • Caso Wellington dos Santos: O jovem segue desaparecido, mas a polícia avançou.
    "Já estamos com dois envolvidos identificados. Esses acusados não trouxeram informação do local exato, mas esperamos que colaborem para indicar onde o corpo foi jogado ou enterrado, para acionarmos o Corpo de Bombeiros", explicou o delegado.

2ª Frente: Armas, Drogas e o Fio da Meada

No decorrer das apurações dos homicídios, a inteligência da polícia identificou grupos criminosos paralelos. Embora não tivessem relação direta com as execuções, esses suspeitos se relacionavam com os membros das facções para a prática de comércio ilegal de armas, munições e lavagem de capitais.

Foram apreendidos computadores, armas de fogo, documentos e dezenas de celulares.

"Tivemos um grande volume de material arrecadado que pode, inclusive, levar a investigação a mais membros envolvidos em crimes relacionados ao tráfico de drogas", pontuou Osny.

3ª Frente: A "Máfia do Emagrecimento" e o Exercício Ilegal da Medicina

O desdobramento mais surpreendente da operação ocorreu na área da saúde pública. A Polícia Civil desbaratou um esquema de venda de medicamentos sem registro da Anvisa. Entre os produtos, destacam-se os famosos emagrecedores injetáveis, como o Mounjaro.

O delegado fez um alerta gravíssimo à população: a origem e a composição desses produtos são totalmente desconhecidas.

"A Anvisa não sabe quem são as fabricantes e não sabemos nem se a composição que consta na embalagem é real. Podem causar sérios danos à saúde. Tivemos conhecimento de uma senhora em Minas Gerais que utilizou um desses lotes apreendidos e foi hospitalizada em estado gravíssimo" , alertou o delegado.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais encontraram agendas com dezenas de nomes de clientes rioclarenses.

"Eles não só venderam, como também receberam pessoas para a aplicação intravenosa utilizando seringas. Eles não são da área de saúde e foram autuados por exercício ilegal da medicina, colocando a vida das pessoas em risco de contaminação e choque anafilático", detalhou Dr. Arnon.

Os Perfis dos Alvos e o Apoio da Polícia Militar

Para combater os boatos que circulavam na cidade logo no início da manhã, o delegado fez questão de esclarecer os perfis dos presos e investigados na venda dos medicamentos, descartando qualquer envolvimento de professores ou profissionais da educação do município.

Entre os investigados nessa frente estão:

  • Uma mulher, que trabalha como vigilante.

  • Um homem em Cuiabá que era que vendia a mercadoria.

  • Um outro que atuava no transporte da mercadoria. Ele responderá pelo crime, pois a investigação provou que ele sabia da natureza ilegal da carga.

  • Três Policiais Militares: Dois lotados na capital e um em São José do Rio Claro.

Sobre o envolvimento de militares, o Dr. Arnon Osny elogiou a postura transparente da corporação.

"A Corregedoria da Polícia Militar foi avisada previamente. Aqui no município, o Major Peçanha, tão logo foi informado, disponibilizou suas equipes para acompanhar as buscas junto à Polícia Civil. Tivemos total colaboração da Polícia Militar", finalizou.

 

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