
Uma ofensa política nas redes sociais virou alvo de disputa judicial em Mato Grosso. O Diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) acionou o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso contra o sargento da Polícia Militar Dickson Soares Casarin, acusado de atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e usar a estrutura pública para se promover politicamente.
A representação sustenta que o militar teria feito propaganda eleitoral antecipada negativa ao associar Lula a organizações criminosas e ao narcoterrorismo em vídeos publicados na internet. Segundo o partido, o conteúdo seria descontextualizado e, em alguns casos, produzido com o uso de inteligência artificial, configurando desinformação.
Casarin é lotado no batalhão da PM em Sinop e reúne mais de 300 mil seguidores no Instagram, onde costuma divulgar ações policiais. Em postagens recentes, relatou prisões de suspeitos de violência doméstica e crimes contra mulheres, narrando casos que ganharam grande repercussão entre internautas.
Para o PT, o policial se aproveita da visibilidade digital e da imagem institucional da corporação para construir uma possível candidatura futura. A legenda também afirma que ele aparece de forma recorrente fardado, utilizando viaturas e símbolos oficiais em conteúdos de cunho político e ideológico, o que, na avaliação jurídica, caracterizaria abuso de poder político e de autoridade.
No pedido, o partido solicita a retirada imediata das publicações consideradas irregulares, a proibição de novos conteúdos com uso da estrutura estatal e a preservação dos dados nas plataformas digitais.
Ao analisar o caso, o desembargador Marcos Henrique Machado determinou que os advogados do PT apresentem, no prazo de três dias, os links completos das postagens questionadas. Segundo ele, a ausência das URLs inviabiliza eventual decisão judicial.
O magistrado alertou que pedidos de remoção de conteúdo na internet precisam indicar de forma precisa os endereços eletrônicos, sob risco de nulidade. Caso a falha não seja corrigida, a ação pode ser indeferida.