Sábado, 28 de Fevereiro de 2026
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MPT pede R$ 20 milhões em ação contra MBRF por falhas na proteção a gestantes em Lucas do Rio Verde

Investigação aponta 144 registros de aborto ou ameaça entre 2019 e 2025; caso de funcionária que perdeu gêmeas na portaria da empresa foi o estopim da denúncia.

28/02/2026 às 10h35
Por: Redação Fonte: Folha de Tapurah
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MPT pede R$ 20 milhões em ação contra MBRF por falhas na proteção a gestantes em Lucas do Rio Verde

O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma Ação Civil Pública contra a unidade da MBRF em Lucas do Rio Verde (MT), exigindo o pagamento de R$ 20 milhões por danos morais coletivos. A ação é fruto de uma investigação minuciosa sobre as condições de trabalho de mulheres grávidas na planta, que teriam sido expostas a ambientes insalubres e ruídos excessivos de até 93 decibéis.

O estopim para a denúncia foi um caso trágico ocorrido em abril de 2024: uma funcionária venezuelana, grávida de oito meses de gêmeas, sofreu um aborto espontâneo na portaria da empresa. O caso chocou a comunidade local e deu início a um levantamento estatístico alarmante realizado pelo órgão.

Números que impressionam

De acordo com os dados colhidos pelo MPT entre 2019 e 2025, a unidade registrou:

  • 144 registros de aborto ou ameaça de aborto (envolvendo 116 funcionárias);

  • 113 partos prematuros confirmados;

  • 71 atestados médicos relacionados a quadros de hipertensão, pré-eclâmpsia e diabetes gestacional.

Para o Ministério Público, esses números não são meras coincidências, mas reflexo de um ambiente de trabalho que não respeita a vulnerabilidade física da gestante no setor frigorífico.

Pedidos do MPT e Defesa da Empresa

Na ação, o MPT pede uma liminar imediata para que a MBRF afaste todas as gestantes de ambientes insalubres, garanta o atendimento médico adequado e realize o pagamento da indenização milionária.

Em nota oficial, a MBRF afirmou que cumpre rigorosamente toda a legislação trabalhista e fornece EPIs certificados. A empresa destacou que mantém, desde 2017, um programa de acompanhamento dedicado às gestantes e negou qualquer relação direta entre as atividades exercidas na planta e os problemas de saúde citados. A companhia informou ainda que apresentará sua defesa técnica no decorrer do processo.

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