
São José do Rio Claro vive um momento de profunda reflexão e luto. Em um intervalo de menos de 30 dias, três famílias da nossa cidade foram devastadas pela dengue hemorrágica. Lúcia, Reinaldo e Dona Sandra Tieme tornaram-se símbolos de uma luta desigual: de um lado, a agressividade da doença; do outro, as barreiras de um sistema público de saúde estadual que colapsa diante da alta complexidade.
O cenário atual revela uma fragilidade preocupante e crônica na saúde de Mato Grosso. Enquanto as equipes locais de São José se desdobram dentro do limite de suas estruturas, o cidadão esbarra em um problema histórico: a superlotação das unidades de referência e a lentidão da regulação estadual.
Quando a dengue evolui para quadros hemorrágicos, a fisiologia humana entra em uma corrida contra o tempo. Cada minuto de espera por uma vaga de UTI pode ser a diferença entre a vida e o óbito. A distância de quase 300 quilômetros até Cuiabá transforma o socorro em uma jornada de incertezas. Depender de uma liberação burocrática para internar um paciente crítico evidencia como o sistema de regulação do Estado ainda é um gargalo para quem vive longe dos grandes centros.
Diante da gravidade, a Prefeitura Municipal de São José do Rio Claro emitiu um alerta urgente à população. A gestão intensificou os mutirões de limpeza e o bloqueio de focos com fumacê, mas reforça que o sistema de saúde local precisa do apoio de cada morador.
“Não se trata apenas de cobrar o Estado, mas de impedir que o mosquito nasça em nossas casas. O sistema local está em alerta máximo, e a orientação é procurar a unidade de saúde aos primeiros sinais de febre, dor no corpo ou manchas vermelhas. O diagnóstico precoce é a nossa principal arma enquanto lutamos por melhores condições de regulação”, afirma o comunicado da Secretaria de Saúde.
Não basta apenas limpar quintais — o que é fundamental. É preciso cobrar o fortalecimento do suporte regional. A descentralização da alta complexidade e a desburocratização das vagas de UTI são demandas que não podem mais esperar.
O Grupo Arinos se solidariza com as famílias enlutadas e mantém o compromisso de dar voz a essa cobrança por soluções reais. A distância e a falta de leitos não podem continuar sendo sentenças de morte para os moradores da nossa região.
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